Propostas serão incorporadas ao plano de ações pedagógicas
Docentes da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) participaram na manhã desta quarta-feira (3) do encerramento do Encontro Nacional de Formadoras e Formadores. Iniciado na terça-feira (1º), o evento teve na programação mesas temáticas, rodas de conversas e oficinas com foco na prática docente e na atualização do planejamento de ensino das formações desenvolvidas pela Enfam. Neste último dia, participantes apresentaram sínteses das principais discussões ocorridas nas oficinas, bem como encaminhamentos para a equipe pedagógica.
Segundo a coordenadora pedagógica da Enfam, Marizete Oliveira, o objetivo do encontro foi elaborar um plano de ação para as formações desenvolvidas. “Tivemos vários encaminhamentos individuais, de formadores e gestores, mas também sobre atualização de materiais didáticos e outras ações que vão rechear o plano de ação da Enfam para este ano e, quem sabe, para o próximo também”, disse.
O servidor Renato Amorim, que participou da condução da oficina sobre Práticas de Ensino de Docentes da Formação Inicial, destacou que as discussões trouxeram reflexões sobre o módulo nacional como etapa de sensibilização de novos integrantes da magistratura, tendo como ponto de partida conteúdos gerais e principiológicos que contribuam para o fortalecimento da carreira. Os magistrados Flávia de Almeida Viveiros de Castro (TJRJ), Gustavo Bomfim Araujo da Silva (TJAC) e Paulo Augusto Oliveira Irion (TJRS) acompanharam o relato e também apresentaram suas contribuições.
“Quando pensamos na integração de todas as metodologias e confrontamos com a avaliação diagnóstica, um dos assuntos que mais apareceram foi como gerir o tempo e quais metodologias se adequam melhor à formação inicial. Ao fazermos perguntas, os próprios docentes reconhecem a metodologia ativa como a forma mais eficaz de realizar a gestão do tempo, mas mostram a necessidade de que estejam adequadas ao perfil da turma. Outra questão levantada foi a importância de uma participação mais ativa da equipe de coordenação da Enfam na fase de planejamento das aulas”, observou Renato Amorim.
O professor José Vieira falou sobre a oficina que tratou de Práticas de Ensino de Docentes da Formação Continuada – atualização de materiais didáticos para EaD. As magistradas Alessandra Spalding e Duilia Reis participaram da apresentação e discorreram sobre as principais discussões realizadas. Entre os mais relevantes pontos mencionados, encontrar ferramentas para cativar alunos e fomentar o interesse deles na permanência do curso, atualizar videoaulas, propor novas abordagens dos conteúdos em articulação com novas questões sociais, e indicar estratégia para acessibilidade a textos e vídeos.
Por fim, os magistrados Marcos Porta, Renata Lotufo e Fabrício Meira citaram algumas questões discutidas na oficina Práticas de Ensino/Encaminhamentos de Docentes da Formação de Formadores da Enfam/escolas, e que teve como ponto de partida seis desafios diagnosticados que foram discutidos em cinco grupos. Os desafios apresentados foram: desenvolvimento docente, mapeamento de competências, práticas docentes, EaD e metodologias ativas, tecnologias digitais/IA, e planejamento/execução. Entre os assuntos debatidos pelos participantes, os impactos da inteligência artificial e a necessidade de magistrados se apropriarem do conhecimento dessas ferramentas e a utilizarem de forma ética, de modo que sejam encaradas como ferramentas, e não substitutas da mente humana.
Os participantes da formação também falaram sobre a experiência com oficina realizada no laboratório de inovação, sobre Soluções para Desafios da Educação Judicial. O juiz Fabrício Meira, do TJPB, contou que foram apresentados problemas vivenciados por alunos e formadores. “Em um primeiro momento, identificamos como grande dificuldade a gestão do tempo, especialmente na educação a distância. No presencial temos mais facilidade em aplicar atividades de metodologias ativas e gerir melhor o tempo. Na EaD nem sempre é possível conquistar e trazer o aluno para uma participação ativa”, disse.
Outra questão relatada pelo magistrado foi o excesso de informação e os impactos disso na saúde mental de servidores e juízes. “Temos a necessidade de abordar temáticas voltadas à qualidade de vida. Não temos tido tempo voltado à atenção da nossa saúde mental e isso tem impactado nossa atividade fim. O excesso de informação, a incapacidade de gerir um conteúdo imenso, que a cada dia nos é apresentado, tem nos adoecido”, destacou.